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Entenda e trate a Síndrome da Fome Noturna

As suas principais características são o excesso de fome noturna – a hiperfagia – que leva a um consumo alto de calorias neste período; a ausência de fome pela manhã, normalmente com pouca ingesta ou ausência de desjejum, e os problemas de sono, principalmente a dificuldade para começar a dormir (insônia inicial).

Acredita-se que a Síndrome da fome noturna está presente em até 25% da população com aumento de peso.

Ela é muito mais comum do que se imagina! Ainda não está claro, contudo, quais os fatores que a desencadeiam, mas parece que há um desbalanço em alguns fatores de regulação neuroendócrina relacionados ao ritmo circadiano.

Alguns hormônios como a melatonina, que é liberado durante o sono, genes do nosso organismo (os chamados “clock gens”), juntamente com a serotonina, sabidamente têm ação no controle do ritmo circadiano.

O ritmo circadiano nada mais é que o equilíbrio que ocorre no nosso organismo durante a noite e o dia, ou durante o sono e a vigília e todos os ajustes que se fazem necessários em nosso corpo para que isto ocorra.

É justamente aí esta o problema: um descompasso entre a melatonina, os clock genes e a serotonina fazem com que as pessoas com a Síndrome da fome noturna.

Curiosamente, essas pessoas preferem alimentos muito calóricos, ricos em gorduras e com baixo índice de fibras.

Os cientistas acham que estes tipos de alimentos, como os chocolates, conseguiriam ativar de maneira mais eficaz os centros do prazer no cérebro, por isto a preferência.

Quem tem maior chance de desenvolver a Síndrome da fome noturna?

Embora, tanto homens quanto mulheres possam ser acometidos, alguns estudos demonstram uma frequência discretamente maior em homens.

A maior predisposição à síndrome também está associada a distúrbios do humor (normalmente quadros de depressão e ansiedade) e em pessoas que já apresentam fatores que interferem no ritmo circadiano, como por exemplo os trabalhadores noturnos (seguranças, profissionais de saúde, bombeiros, policiais, etc.).

Complicações

O principal problema da síndrome da fome noturna está relacionado ao aumento de peso e suas consequências – como apressão alta, diabetes , alteração de colesterol -, que fazem parte do que chamamos de síndrome metabólica – a maior causa de mortalidade em todo o mundo.

Pessoas que trabalham em turnos alternados têm padrões diferentes de sono durante as 24 horas devido às mudanças na sincronização dos seus ritmos corporais com o ciclo de claro e escuro.
Essas alterações de sono já foram associadas a distúrbios metabólicos, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, dentre outros.

Tratando o problema

Existem várias opções de tratamento para a Síndrome da fome noturna, mas, basicamente, duas abordagens são necessárias: A primeira opção é o tratamento comportamental – com psicoterapia e mudanças de hábitos de vida -, mas, em algumas situações, o endocrinologista precisa introduzir medicação. Algumas dicas podem ajudar a atenuar o problema são:

  • Não fique em jejum pela manhã. Fazer café da manha regularmente é fundamental;
  • Fracione bem a alimentação durante o dia;
  • Tenha horários regulares para se alimentar (não mudar muito os horários de comer);
  • Prefira alimentos com baixo índice glicêmico (produtos integrais) durante todo o dia e principalmente à noite;
  • Coma lentamente e sem fatores de distração, como a televisão, principalmente no período noturno;
  • Evite qualquer fator que possa influenciar no sono noturno, como a ingestão de cafeína após as 18h, por exemplo, ou atividade fisica logo antes de deitar.
  • Tente ter regularidade de sono, evitando trabalho em turnos, e dormir pelo menos 6 horas por noite;
  • Evite ter alimentos de alta densidade calórica disponíveis em casa.

Embora ainda pouco reconhecida, a Síndrome da fome noturna é um problema que acomete muitas pessoas e deve ser identificado o quanto antes, seja pelo próprio paciente e seus familiares, ou pelo endocrinologista.
Pequenas mudanças no estilo de vida e, às vezes, medicação podem trazer grandes benefícios.

Fonte: Web

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